Cármen Lúcia deve decidir sobre mudança na Lei da Ficha Limpa antes do carnaval

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve pautar antes do carnaval a aguardada decisão sobre a possível mudança na aplicação da Lei da Ficha Limpa. O tema voltou ao centro do debate jurídico e político por atingir diretamente o cenário eleitoral de 2026, com potencial para reabilitar nomes hoje impedidos de disputar eleições, como o ex-governador do DF José Roberto Arruda, Anthony Garotinho e Eduardo Cunha, entre outros políticos ficha-suja.
Nos bastidores do Judiciário, a avaliação é de que a decisão sobre a ação direta de constitucionalidade movida pelo partido Rede Sustentabilidade não será simples nem rápida do ponto de vista técnico, mas o calendário político pressiona por uma definição o quanto antes, para não prejudicar o processo eleitoral.
Partidos, lideranças e advogados eleitorais acompanham cada movimento do STF, cientes de que qualquer alteração na interpretação da lei pode redefinir estratégias e alianças.
A discussão envolve principalmente o prazo de inelegibilidade e a forma de contagem das penas, ponto que já gerou decisões divergentes em instâncias inferiores.
Para críticos a mudança, uma flexibilização seria um golpe direto no espírito da lei, criada justamente para afastar da política figuras condenadas por corrupção e outros crimes graves.
No campo político, há quem veja a movimentação como uma tentativa velada de “limpar a ficha” de personagens políticos que estão há anos fora do cenário, especialmente em estados onde velhos caciques aguardam apenas uma brecha jurídica para voltar ao jogo.
A pressão não vem só de partidos: setores econômicos e grupos regionais também fazem lobby silencioso. Não se sabe se esse apoio visa uma troca de favorecimento lá na frente, caso o ficha-suja concorra e se eleja.
Cármen Lúcia, conhecida pelo discurso firme em defesa da moralidade administrativa, sabe que sua decisão terá impacto direto na própria imagem e na credibilidade do STF, que não vive seus melhores dias. Se decidir antes do carnaval, o tribunal joga a bomba no colo do sistema político ainda no início do ano, quando o tabuleiro começa a ser montado.
Arruda na corda bamba com parecer da PGR

O ex-governador José Roberto Arruda voltou a ficar na corda bamba após um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) gerar dúvidas sobre sua pretensa candidatura ao GDF, já que ele está condenado e tem adotado o discurso de que suas pendências com a Justiça já foram superadas.
O documento, ainda que técnico, caiu como um balde de água fria nos planos políticos de Arruda e de seu grupo, que apostam em seu retorno para as eleições deste ano, mesmo ele tendo sido condenado recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e declarado inelegível até 2032.
Nos bastidores da política brasiliense, a leitura é clara: enquanto houver dúvidas quanto à sua real situação jurídica, Arruda vai continuar com seu “migué” de sempre em época de campanha. E olha que tem gente entregando cargo ou pedindo demissão do emprego acreditando que o ex-governador vai se candidatar e que o eleitor brasiliense vai lhe dar mais uma chance.
Contudo, o parecer da PGR, mesmo não sendo decisivo, reforça a tese de que a Justiça caminha para mantê-lo inelegível. Agora, cabe à ministra Cármen Lúcia decidir se vai manter a legislação nos moldes atuais ou se vai se sensibilizar com políticos ficha-suja como Arruda.
Os aliados de primeira hora do ex-governador tentam minimizar o impacto do documento da PGR, argumentando que o parecer não representa decisão final e que ainda há margem para recursos e interpretações. Muitos arrudistas, inclusive, desqualificam o trabalho de Paulo Gonet. No entanto, adversários já exploram o tema, lembrando que o desgaste político muitas vezes pesa mais do que o desfecho jurídico.
O problema de Arruda não é apenas jurídico, mas também simbólico. Seu nome ainda remete a um período turbulento da política local, marcado por uma gestão cheia de escândalos de corrupção e outros supostos crimes contra a sociedade.
Qualquer tentativa de reabilitá-lo enfrenta resistência tanto na opinião pública quanto dentro de partidos que temem ter de carregá-lo e, lá na frente, vê-lo pular fora, deixando o rastro de sujeira para trás e arrastando todo mundo para o lamaçal.
Com o calendário avançando e as articulações ganhando ritmo, o parecer da PGR funciona como um freio de mão puxado no meio da curva. Se não resolver suas pendências rapidamente, Arruda corre o risco de assistir ao jogo de 2026 aguardando a próxima chamada para as viagens do UberPai.
Chico Vigilante diz que PT-DF não abre mão de ser cabeça de chapa na disputa ao GDF

Durante entrevista a este colunista, na manhã de sábado (10), no programa Fala Aí, na JK FM, o deputado distrital Chico Vigilante não deixou margem para interpretações dúbias. Segundo ele, o PT do Distrito Federal não abre mão de liderar a chapa majoritária em 2026, com Leandro Grass como nome prioritário do partido.
A fala do distrital pode ser considerada um aviso prévio aos aliados do PT-DF e um recado direto e claro aos “companheiros” de outros partidos que ainda sonham em assumir o protagonismo no campo da esquerda em Brasília.
Ao tratar do tema, Chico deixou claro que, desta vez, o PT pretende assumir o papel de protagonista, deixando de ser coadjuvante ou figurante, como tem ocorrido nas últimas eleições.
Entre os petistas do DF, a leitura interna é de que o partido já pagou caro por concessões excessivas em disputas anteriores e que abrir mão da cabeça de chapa neste ano seria o mesmo que admitir que o PT, por estas bandas, morreu de vez.
Durante a entrevista, o distrital também deu pistas sobre a possível composição da chapa. Sem cravar oficialmente, Chico deixou no ar a hipótese de o vice de Leandro Grass ser Ricardo Cappelli, filiado ao PSB de Flávio Dino e Rodrigo Rollemberg.
A possível dobradinha Grass-Cappelli agrada a uma ala do PT por equilibrar perfil técnico e articulação política. No entanto, o que se enxerga no horizonte é que nem Cappelli nem Leandro Grass vão querer ceder espaço.
Em 2022, a cúpula nacional da sigla teve de intervir e impôs o nome de Grass, então filiado ao PV, o que causou grande revolta entre os petistas. Desta vez, Leandro Grass, que, apesar de ser um “cabrito novo” no PT, deve chegar sentando na janela.
A fala de Chico Vigilante, nos bastidores, foi interpretada como um movimento para balizar o debate desde já. Pelo visto, desta vez, Leandro Grass tende a contar com o apoio da militância petista, que lhe virou as costas em 2022.
Resta saber se a esquerda, de maneira geral, vai se unir em torno de um único nome ou se seguirá para a disputa dividida.
Mistério da Semana
Qual é o pré-candidato que correu para esconder seu “bonecão” de campanha ao saber que a Justiça Eleitoral está de olho e punindo quem anda fazendo campanha antecipada? Quem é? Quem é? Quem é? Mistéééério…
*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.
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