• 26 de fevereiro de 2026

Cármen Lúcia deve decidir sobre mudança na Lei da Ficha Limpa antes do carnaval

Cármen Lúcia deve decidir sobre mudança na Lei da Ficha Limpa antes do carnaval

Cármen Lúcia deve decidir sobre mudança na Lei da Ficha Limpa antes do carnaval
Foto: Divulgação/Ag. Brasil

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve pautar antes do carnaval a aguardada decisão sobre a possível mudança na aplicação da Lei da Ficha Limpa. O tema voltou ao centro do debate jurídico e político por atingir diretamente o cenário eleitoral de 2026, com potencial para reabilitar nomes hoje impedidos de disputar eleições, como o ex-governador do DF José Roberto Arruda, Anthony Garotinho e Eduardo Cunha, entre outros políticos ficha-suja.

Nos bastidores do Judiciário, a avaliação é de que a decisão sobre a ação direta de constitucionalidade movida pelo partido Rede Sustentabilidade não será simples nem rápida do ponto de vista técnico, mas o calendário político pressiona por uma definição o quanto antes, para não prejudicar o processo eleitoral.

Partidos, lideranças e advogados eleitorais acompanham cada movimento do STF, cientes de que qualquer alteração na interpretação da lei pode redefinir estratégias e alianças.

A discussão envolve principalmente o prazo de inelegibilidade e a forma de contagem das penas, ponto que já gerou decisões divergentes em instâncias inferiores.

Para críticos a mudança, uma flexibilização seria um golpe direto no espírito da lei, criada justamente para afastar da política figuras condenadas por corrupção e outros crimes graves.

No campo político, há quem veja a movimentação como uma tentativa velada de “limpar a ficha” de personagens políticos que estão há anos fora do cenário, especialmente em estados onde velhos caciques aguardam apenas uma brecha jurídica para voltar ao jogo.

A pressão não vem só de partidos: setores econômicos e grupos regionais também fazem lobby silencioso. Não se sabe se esse apoio visa uma troca de favorecimento lá na frente, caso o ficha-suja concorra e se eleja.

Cármen Lúcia, conhecida pelo discurso firme em defesa da moralidade administrativa, sabe que sua decisão terá impacto direto na própria imagem e na credibilidade do STF, que não vive seus melhores dias. Se decidir antes do carnaval, o tribunal joga a bomba no colo do sistema político ainda no início do ano, quando o tabuleiro começa a ser montado.

Arruda na corda bamba com parecer da PGR

Arruda na corda bamba com parecer da PGR
Charge: Desenvolvida por IA

O ex-governador José Roberto Arruda voltou a ficar na corda bamba após um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) gerar dúvidas sobre sua pretensa candidatura ao GDF, já que ele está condenado e tem adotado o discurso de que suas pendências com a Justiça já foram superadas.

O documento, ainda que técnico, caiu como um balde de água fria nos planos políticos de Arruda e de seu grupo, que apostam em seu retorno para as eleições deste ano, mesmo ele tendo sido condenado recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e declarado inelegível até 2032.

Nos bastidores da política brasiliense, a leitura é clara: enquanto houver dúvidas quanto à sua real situação jurídica, Arruda vai continuar com seu “migué” de sempre em época de campanha. E olha que tem gente entregando cargo ou pedindo demissão do emprego acreditando que o ex-governador vai se candidatar e que o eleitor brasiliense vai lhe dar mais uma chance.

Contudo, o parecer da PGR, mesmo não sendo decisivo, reforça a tese de que a Justiça caminha para mantê-lo inelegível. Agora, cabe à ministra Cármen Lúcia decidir se vai manter a legislação nos moldes atuais ou se vai se sensibilizar com políticos ficha-suja como Arruda.

Os aliados de primeira hora do ex-governador tentam minimizar o impacto do documento da PGR, argumentando que o parecer não representa decisão final e que ainda há margem para recursos e interpretações. Muitos arrudistas, inclusive, desqualificam o trabalho de Paulo Gonet. No entanto, adversários já exploram o tema, lembrando que o desgaste político muitas vezes pesa mais do que o desfecho jurídico.

O problema de Arruda não é apenas jurídico, mas também simbólico. Seu nome ainda remete a um período turbulento da política local, marcado por uma gestão cheia de escândalos de corrupção e outros supostos crimes contra a sociedade.

Qualquer tentativa de reabilitá-lo enfrenta resistência tanto na opinião pública quanto dentro de partidos que temem ter de carregá-lo e, lá na frente, vê-lo pular fora, deixando o rastro de sujeira para trás e arrastando todo mundo para o lamaçal.

Com o calendário avançando e as articulações ganhando ritmo, o parecer da PGR funciona como um freio de mão puxado no meio da curva. Se não resolver suas pendências rapidamente, Arruda corre o risco de assistir ao jogo de 2026 aguardando a próxima chamada para as viagens do UberPai.

Chico Vigilante diz que PT-DF não abre mão de ser cabeça de chapa na disputa ao GDF

Chico Vigilante diz que PT-DF não abre mão de ser cabeça de chapa na disputa ao GDF
Foto: Thomaz Pires

Durante entrevista a este colunista, na manhã de sábado (10), no programa Fala Aí, na JK FM, o deputado distrital Chico Vigilante não deixou margem para interpretações dúbias. Segundo ele, o PT do Distrito Federal não abre mão de liderar a chapa majoritária em 2026, com Leandro Grass como nome prioritário do partido.

A fala do distrital pode ser considerada um aviso prévio aos aliados do PT-DF e um recado direto e claro aos “companheiros” de outros partidos que ainda sonham em assumir o protagonismo no campo da esquerda em Brasília.

Ao tratar do tema, Chico deixou claro que, desta vez, o PT pretende assumir o papel de protagonista, deixando de ser coadjuvante ou figurante, como tem ocorrido nas últimas eleições.

Entre os petistas do DF, a leitura interna é de que o partido já pagou caro por concessões excessivas em disputas anteriores e que abrir mão da cabeça de chapa neste ano seria o mesmo que admitir que o PT, por estas bandas, morreu de vez.

Durante a entrevista, o distrital também deu pistas sobre a possível composição da chapa. Sem cravar oficialmente, Chico deixou no ar a hipótese de o vice de Leandro Grass ser Ricardo Cappelli, filiado ao PSB de Flávio Dino e Rodrigo Rollemberg.

A possível dobradinha Grass-Cappelli agrada a uma ala do PT por equilibrar perfil técnico e articulação política. No entanto, o que se enxerga no horizonte é que nem Cappelli nem Leandro Grass vão querer ceder espaço.

Em 2022, a cúpula nacional da sigla teve de intervir e impôs o nome de Grass, então filiado ao PV, o que causou grande revolta entre os petistas. Desta vez, Leandro Grass, que, apesar de ser um “cabrito novo” no PT, deve chegar sentando na janela.

A fala de Chico Vigilante, nos bastidores, foi interpretada como um movimento para balizar o debate desde já. Pelo visto, desta vez, Leandro Grass tende a contar com o apoio da militância petista, que lhe virou as costas em 2022.

Resta saber se a esquerda, de maneira geral, vai se unir em torno de um único nome ou se seguirá para a disputa dividida.

Mistério da Semana

Qual é o pré-candidato que correu para esconder seu “bonecão” de campanha ao saber que a Justiça Eleitoral está de olho e punindo quem anda fazendo campanha antecipada? Quem é? Quem é? Quem é? Mistéééério…

*José Fernando Vilela é jornalista especializado em marketing político e eleitoral, com ampla experiência em órgãos públicos, entidades representativas e na iniciativa privada. Editor-chefe e colunista do Expressão Brasiliense, atua na cobertura e análise dos bastidores da política nacional e local. É apresentador do podcast Café Expressão e do programa Fala Aí, na JK FM 102,7, aos sábados, a partir das 6h.

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