• 27 de março de 2026

Relator da CPMI do INSS pede prisão preventiva de Lulinha e indiciamento de 216 pessoas

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), solicitou a prisão preventiva do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em seu parecer final apresentado nesta sexta-feira (27).

O relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS também recomenda o indiciamento de 216 pessoas e será submetido à votação ainda nesta sexta. A análise ocorre após decisão do Supremo Tribunal Federal que derrubou a liminar que permitiria a prorrogação dos trabalhos, mantendo o encerramento para sábado (28).

Segundo Gaspar, o indiciamento de Lulinha se baseia em “elementos probatórios colhidos ao longo das investigações”, além de informações presentes em decisão do ministro André Mendonça.

Acusações e investigação

O relatório aponta que Lulinha teria integrado uma organização criminosa investigada por desvios de recursos de aposentados do INSS, com suposto recebimento de vantagens indevidas.

Entre os elementos citados estão:

  • Viagens custeadas com recursos ligados ao esquema
  • Transferências financeiras identificadas pela investigação
  • Relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como líder do grupo

O documento atribui ao empresário possíveis crimes como:

  • Tráfico de influência
  • Lavagem de dinheiro
  • Organização criminosa
  • Corrupção passiva

Pedido de prisão preventiva

De acordo com o relator, a viagem de Lulinha ao exterior, no momento da operação policial, pode indicar risco de fuga e justificar a prisão preventiva.

“A situação configura fundado receio de que o investigado busque se furtar à aplicação da lei penal”, sustenta o parecer.

Defesa fala em motivação política

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, representada pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, criticou duramente o pedido.

Segundo ele, a medida tem “caráter eleitoral” e não possui base jurídica:

“Não há um único elemento nos autos que justifique essa sugestão. Se não fosse trágico, seria cômico.”

A defesa também afirmou que o caso faz parte de uma tentativa de desgaste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que acontece agora

Apesar do pedido, a CPMI não tem poder para decretar prisão ou indiciar formalmente. O relatório pode apenas encaminhar recomendações à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá sobre eventuais medidas.

A comissão, instalada em agosto, encerra seus trabalhos neste sábado (28). O parecer final tem mais de 4 mil páginas e reúne investigações divididas em nove núcleos.

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados


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