Quem diria que o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) receberia um presente de grego da Procuradoria-Geral da República (PGR) um dia após completar 72 anos. O parecer enviado na terça-feira (6) pelo procurador-geral Paulo Gonet ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da ação movida pela Rede Sustentabilidade, posiciona-se de forma contrária às mudanças na Lei da Ficha Limpa e coloca em xeque, mais uma vez, a tentativa de Arruda de disputar o Governo do Distrito Federal (GDF).
Desde que anunciou estar “livre” para voltar à política, Arruda tem se apoiado justamente no trecho da legislação que agora está sob análise da ministra Cármen Lúcia. O problema é que a PGR endossou a tese de que a alteração promovida pelo Congresso Nacional é ilegal. Uma mudança feita sob medida para beneficiar não apenas Arruda, mas também outros políticos carimbados como ficha-suja, a exemplo de Anthony Garotinho e Eduardo Cunha.
Cabe agora à ministra Cármen Lúcia decidir sobre a constitucionalidade da mudança na Lei da Ficha Limpa, um dos principais símbolos do combate à corrupção no Brasil. O enfraquecimento da norma, tão celebrado por Arruda e outras raposas da política nacional, representaria um retrocesso institucional grave e um desrespeito direto à vontade popular que deu origem à lei.
Nos bastidores do STF, a expectativa é de que a ministra se posicione rapidamente sobre a ação direta de inconstitucionalidade. A avaliação predominante entre juristas e magistrados é de que Cármen Lúcia deverá barrar o retorno de políticos condenados, como José Roberto Arruda, ao cenário eleitoral evitando a repetição de velhos crimes cometidos quando detinham poder.
Inelegibilidade até 2032 é fato consumado
O parecer de Paulo Gonet funciona como um verdadeiro balde de água fria nas pretensões eleitorais de Arruda em 2026. O risco de ser novamente barrado é alto, como já ocorreu em 2014, 2018 e 2022. Sem a mudança na legislação, não há milagre possível — nem santo que resolva.
Conforme decisão mais recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José Roberto Arruda permanece inelegível até 2032. Isso é fato jurídico, não opinião. A narrativa de que estaria apto a concorrer é apenas mais um dos tantos “migués” eleitorais que o ex-governador insiste em vender a cada ciclo político.
Diante do posicionamento firme da PGR, a pré-campanha de Arruda perde força e se enfraquece tanto no campo jurídico quanto no político. É questão de tempo até que os pseudos-aliados abandonem a barca furada.
Nem STF, nem céu, nem povo
Como o Congresso Nacional aguarda o julgamento do STF para analisar os vetos do presidente Lula às alterações na Lei da Ficha Limpa, Arruda se encontra numa encruzilhada com vela preta, galinha, farofa e cachaça, bem diferente daquelas que diz ter enfrentado no Caminho de Santiago de Compostela, percurso europeu que já percorreu diversas vezes em busca de redenção.
Pelo visto, a ida recente ao Vaticano, no início de 2026, trouxe um recado claro lá do céu: melhor ficar em casa trabalhando como UberPai. Aceita que dói menos.
Nem a passagem pela Porta Santa da Basílica de São Pedro durante o encerramento do Jubileu da Igreja Católica, nem as rezas em Roma surtiram efeito. Se nem os céus atenderam às preces de Arruda, dificilmente o STF o fará. As pesquisas de opinião, aliás, mostram que o povo também não quer saber do ex-governador.
O ano de 2026 começou mal para José Roberto Arruda e tudo indica que pode terminar ainda pior.
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