• 3 de fevereiro de 2026

Flávio Dino arquiva investigação contra senador de seu ‘ex-partido’ flagrado com R$ 33 mil na cueca

Que vergonha, Brasil. O episódio do dinheiro na cueca, que virou símbolo escancarado da promiscuidade entre política e corrupção em plena pandemia, acaba de ganhar um desfecho digno de nota de rodapé jurídica.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou na segunda-feira (2) o arquivamento da investigação contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), aquele que foi flagrado com R$ 33,1 mil escondidos na cueca durante a Operação Desvid-19, deflagrada pela Polícia Federal em 2020 para apurar desvios de recursos destinados ao combate à covid-19.

A decisão acolhe integralmente pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliou não haver “indícios mínimos” de tentativa de ocultação de valores. Pelo visto, guardar dinheiro íntimo em partes íntimas virou apenas um hábito pessoal, não um problema penal.

Para completar o roteiro, Dino também determinou o envio dos autos à primeira instância, transferindo o caso para a Justiça Federal e o Ministério Público Federal em Roraima. Tradução livre: o Supremo lava as mãos e vida que segue.

Cueca cheia, processo vazio

Naquele 15 de outubro de 2020, a Polícia Federal encontrou cerca de R$ 100 mil em espécie na residência do senador, em Boa Vista. Parte do montante estava onde não deveria jamais estar. À época, Chico Rodrigues era vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, e a investigação apontava sobrepreço de quase R$ 1 milhão em contratações bancadas com dinheiro público durante a pandemia.

A ordem de busca e apreensão foi autorizada pelo então ministro do STF Luís Roberto Barroso, hoje aposentado. Ou seja, não se tratava exatamente de uma aventura policial, mas de uma investigação robusta, com suspeitas claras de irregularidades graves.

Mesmo assim, segundo a PGR, a apuração não teria alcançado “densidade indiciária suficiente” para justificar ação penal no Supremo. Dino concordou.

“Não vislumbro fundamentos para deixar de atender aos requerimentos do titular da ação penal perante o STF”, justificou o ministro, deixando aberta apenas a possibilidade de reanálise futura, aquela clássica promessa que raramente sai do papel.

Uma coincidência bem intrigante é que Chico Rodrigues é filiado ao PSB, último partido de Flávio Dino antes de ingressar no STF. Nos bastidores, os comentários dão conta que forças ocultas da legenda esquerda pediram ajudar ao ex-correligionário.

Moral da história

O caso que escancarou o cinismo da corrupção em tempos de caixão fechado e respirador disputado termina com um despacho técnico, elegante e asséptico. O dinheiro apareceu. A cueca virou símbolo nacional. Mas, no fim, ninguém viu crime algum.

No Brasil institucional, parece que o problema nunca é o dinheiro: é onde ele aparece. É o Brasil sendo Brasil.

Fotos: Reprodução/Google Imagens


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