O que era para ser o desfile de uma escola de samba estreante na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, transformou-se em um ato político em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição neste ano.
A apresentação da Acadêmicos de Niterói ocorreu após a Justiça autorizar o samba-enredo em homenagem ao pré-candidato ao Planalto, mesmo depois de dez ações movidas por parlamentares e partidos políticos questionando o conteúdo do desfile.
Na estreia no Grupo Especial, na noite de domingo (15), a escola praticamente só faltou pedir voto explicitamente ao petista. Já na comissão de frente, ficou evidente que o enredo teria forte conotação política.
A comissão retratou a chegada de Lula ao Planalto, a passagem da faixa para Dilma Rousseff, a insinuação de golpe envolvendo Michel Temer, a ascensão de Jair Bolsonaro, representado como o palhaço “Bozo”, e o retorno de Lula ao poder, subindo a rampa ao lado de Rosângela e representantes do povo brasileiro.
O desfile contou ainda com a presença do próprio Lula e de Rosângela, que desceram do camarote VIP para beijar a bandeira da escola e cumprimentar o casal de mestre-sala e porta-bandeira.
Durante toda a passagem pela Sapucaí, o samba-enredo fez alusões às campanhas do presidente, com o coro entoando o já conhecido “olé, olé, olé, olá, Lula, Lula”.
Alas e carros alegóricos reforçaram a narrativa política, retratando fases da vida pública do petista. Houve, inclusive, uma ala com referência à estrela do PT.
Um dos carros alegóricos trouxe críticas diretas ao governo Bolsonaro, com um “Bozo gigante” encarcerado. Já o último carro apresentou um boneco de Lula com a faixa presidencial, acenando para o público nas arquibancadas e camarotes naquela típica pose do ‘vote em mim’.
Diante de tudo o que foi exibido, em um desfile que contou com recursos públicos, surge a pergunta inevitável: isso não caracteriza propaganda eleitoral antecipada?
A Justiça brasileira, tanto na esfera comum quanto na eleitoral, não pode simplesmente ignorar o que foi apresentado na avenida. A discussão deve avançar para além do espetáculo carnavalesco e alcançar o campo jurídico-eleitoral.
Resta saber como o Judiciário reagirá. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármen Lúcia, dará andamento às ações que questionam o desfile? Haverá investigação formal sobre eventual propaganda antecipada? Ou o caso será arquivado?
A única certeza que se tem é que do ponto de vista dos critérios técnicos dos jurados da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, o desfile da Acadêmicos de Niterói foi um fiasco total. Quem sabe essa seja a primeira e a última vez da agremiação no grupo principal.
O debate está posto. E, no fim das contas, quem financia a festa, o contribuinte brasileiro, tem o direito de saber onde termina a manifestação cultural e onde começa a campanha eleitoral. Ou a gente que se fOd@?
Com a palavra, a Justiça brasileira.
Charge: Desenvolvida por IA
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