• 23 de maio de 2022

COM APOIO DA FAP-DF | Servidores do Hemocentro desenvolvem pesquisa que inova no tratamento de pacientes complexos

O que acontece quando pessoas com força de vontade se unem para melhorar a vida dos pacientes? Inovação. Nesse caso, a novidade vem da Subseção de Imuno-Hematologia da Fundação Hemocentro de Brasília. Juntos, cinco servidores desenvolvem projeto de pesquisa que vai impactar diretamente no tratamento de mais de 1.300 pacientes complexos, que são os portadores de anemia falciforme, anemia hemolítica autoimune ou talassemia, por exemplo.

O tratamento para essas doenças inclui realizar várias transfusões sanguíneas ao longo da vida, já que afetam o sangue. Pelo alto número de transfusões, alguns desses pacientes começam a desenvolver anticorpos, que destroem o sangue recebido, numa reação transfusional que pode levar a óbito.

“Por isso, precisamos realizar a genotipagem, um exame mais complexo e sensível, para saber qual a bolsa de sangue mais compatível para cada paciente”, explica Diego Mühlbeier, biomédico à frente do projeto.

“Conciliar a rotina de trabalho e ir além, inovar, é muito difícil. Mas o que nos move é o benefício para os pacientes, porque, muitas vezes, não dá para esperar esse tempo”, Diego Mühlbeier, biomédico à frente do projeto

O Laboratório de Genotipagem vai investigar o DNA dos pacientes para identificar o perfil sanguíneo e determinar qual a bolsa de sangue disponível é mais compatível, evitando as reações. Hoje, o exame do genótipo é feito por um laboratório em São Paulo e o resultado demora de 15 a 30 dias para chegar.

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“Conciliar a rotina de trabalho e ir além, inovar, é muito difícil. Mas o que nos move é o benefício para os pacientes, porque, muitas vezes, não dá para esperar esse tempo”, comenta Diego. A iniciativa começou em 2019, quando o biomédico e a equipe decidiram concorrer ao edital de financiamento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF).

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“É uma equipe muito empenhada em fazer acontecer”, elogia Renata Moreira, chefe da Seção de Laboratórios do Hemocentro. Após o projeto ser selecionado, a FAP investiu nele R$ 145 mil, verba que foi utilizada para compra de equipamentos e reagentes.

Benefícios

“Com nosso próprio laboratório, vamos ser autossuficientes e o processo vai ser bem mais rápido, com resultados saindo no mesmo dia”, enfatiza Renata. Ou seja, quem precisa da doação de um tipo sanguíneo específico vai ter mais segurança e maior agilidade no tratamento. “E vamos ter controle total dos processos, garantindo a máxima qualidade do resultado”, completa a farmacêutica.

A ideia é investigar o genótipo apenas dos pacientes, visto que, no sangue doado, já é feito o exame de fenótipo, que é uma análise das características sanguíneas. “O fenótipo deduz o genótipo, por isso não há necessidade de ir até o DNA do doador, apenas do paciente”, explica Diego.

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Os doadores que têm as especificidades sanguíneas compatíveis com os pacientes complexos são chamados de doadores raros e só fazem doação quando convocados, para atender uma demanda específica por aquele tipo sanguíneo. Até 2019, eram apenas seis doadores com esse perfil. Durante a pesquisa, já foram identificados mais 12 doadores raros.

Por enquanto, o Laboratório de Genotipagem passa pela etapa de validação. Em junho, a equipe começa a analisar o genótipo de 200 pacientes que aceitaram participar da pesquisa, a maioria deles são crianças e adolescentes tratados no Hospital da Criança de Brasília (HCB). A previsão é que, em agosto, após a aprovação técnico-científica, o exame de genotipagem seja rotina para os pacientes complexos.

(Agência Brasília)

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

Expressão Brasiliense

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