O Centro Especializado em Reabilitação (CER) II Taguatinga ganhou um novo espaço voltado à promoção da saúde, à sustentabilidade e ao cuidado integral. Na última sexta-feira (2), a unidade implantou o Horto Agroflorestal Medicinal Biodinâmico (HAMB), reunindo usuários, familiares, servidores, comunidade e parceiros institucionais.
O novo horto passa a integrar a Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (Rhamb), iniciativa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) que busca aproximar as ações de saúde da educação ambiental, da sustentabilidade e da participação comunitária.
A proposta também amplia a própria concepção de reabilitação oferecida pelo CER. Segundo a supervisora da unidade, Kênia Cardoso, o cuidado não deve ficar restrito ao espaço tradicional dos atendimentos.
“A reabilitação vai muito além daquele atendimento fechado dentro de uma sala. Nós reabilitamos o paciente para o mundo, para fora, e a ideia do horto casou muito com isso”, afirmou.
Horto foi planejado para garantir acessibilidade
Desde a concepção, o espaço foi pensado para permitir a participação de diferentes públicos, incluindo pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
De acordo com Kênia Cardoso, os canteiros foram projetados com maior espaçamento para facilitar a circulação de pessoas que utilizam cadeira de rodas ou outros dispositivos de locomoção.
“Pensamos em canteiros mais espaçados para que a pessoa consiga transitar com cadeira de rodas ou outro dispositivo de locomoção. Queremos um espaço realmente para todos”, destacou.
A acessibilidade transforma o horto em uma extensão das ações de reabilitação, permitindo que usuários participem de atividades fora do ambiente convencional de atendimento e tenham contato direto com práticas relacionadas ao cuidado, à natureza e à convivência.
Espaços de saúde também podem ser usados para prevenção
A implantação do horto também foi destacada como uma forma de colocar em prática um dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS): o fortalecimento da promoção da saúde e do cuidado.
Para a colaboradora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Ximena Moreno, iniciativas como essa ajudam a aumentar a autonomia da população sobre a própria saúde.
“A Reforma Sanitária que cria o SUS traz no seu contexto que a população tem que participar ativamente da sua saúde. Quando implementamos a rede de hortos, vemos como as pessoas ganham autonomia no seu cuidado”, explicou.
Segundo a especialista, a iniciativa ainda pode mudar a relação da comunidade com as unidades de saúde. Em vez de procurar os serviços apenas diante de doenças ou problemas já instalados, a população passa a enxergar esses espaços como ambientes de convivência, prevenção e promoção da saúde.
“As pessoas começam a visitar os lugares de saúde não só quando estão doentes, mas também para fazer atividades de promoção da saúde. Para funcionar, o SUS precisa trabalhar a prevenção e a promoção da saúde”, afirmou.
Saúde, natureza e participação comunitária
Com a implantação do HAMB, o CER II Taguatinga passa a contar com um ambiente que conecta reabilitação, acessibilidade, educação ambiental, sustentabilidade e promoção da saúde.
A iniciativa segue uma tendência de ampliar os espaços de cuidado para além do modelo tradicional de atendimento individualizado. No caso do CER, a proposta dialoga diretamente com a missão de preparar os usuários para uma participação mais ampla na vida cotidiana e na comunidade.
A participação de familiares, servidores e moradores desde a implantação reforça ainda o caráter coletivo da iniciativa.
Com o novo horto, o CER II Taguatinga aposta em uma abordagem de cuidado que combina saúde, autonomia, inclusão e contato com a natureza, transformando parte do espaço da unidade em um ambiente de convivência e promoção da qualidade de vida.
Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF
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