• 18 de fevereiro de 2026

Congresso do Peru censura presidente José Jerí e aprofunda crise política no país

O Congresso do Peru censurou nesta terça-feira (17/2) o presidente do país, José Jerí, decisão que, na prática, declara vaga a Presidência da República e abre um novo capítulo da crise política no Peru.

Com 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções, os parlamentares aprovaram uma das moções de censura apresentadas contra Jerí, que vinha sendo pressionado por uma sucessão de escândalos nas últimas semanas.

A destituição ocorre apenas quatro meses após ele assumir o cargo e abre caminho para a eleição de seu sucessor no Parlamento. O próximo chefe de Estado será o oitavo presidente do Peru em 10 anos — um retrato da instabilidade institucional que marca o país na última década.

Escândalos derrubaram José Jerí

A queda de José Jerí foi resultado de uma sequência de denúncias que desgastaram rapidamente sua curta gestão.

Em dezembro, o então presidente foi flagrado por câmeras de segurança em uma reunião fora do Palácio de Governo com empresários chineses em um restaurante de chifa — culinária sino-peruana popular no país — no distrito de San Borja, em Lima. O episódio ficou conhecido na imprensa peruana como “chifagate”.

Semanas depois, novas reportagens apontaram que Jerí recebeu no Palácio de Governo um grupo de mulheres jovens que, posteriormente, teriam sido beneficiadas com contratos públicos.

As versões apresentadas por Jerí sobre ambos os episódios foram consideradas contraditórias por parlamentares. O desgaste político acelerou o processo de censura.

Como Jerí chegou ao poder

Jerí assumiu a Presidência após o Congresso declarar a vacância da então presidente Dina Boluarte. À época, ele presidia o Legislativo e, conforme determina a Constituição peruana, sucedeu Boluarte na chefia do Estado.

Seu mandato seria interino até as eleições presidenciais, previstas para ocorrer em menos de dois meses.

Após a votação que confirmou sua saída, o Congresso divulgou comunicado oficial declarando vaga tanto a Presidência do Parlamento quanto a Presidência da República.

“Chifagate” e empresários investigados

O escândalo ganhou força em 11 de janeiro, quando o programa Punto Final revelou detalhes do encontro de Jerí com empresários chineses no restaurante em San Borja. O presidente teria entrado encapuzado e não registrou o compromisso em sua agenda oficial.

O empresário Zhihua Yang participou da reunião. Posteriormente, o programa Cuarto Poder informou que outro empresário chinês, Xiaodong Ji Wu, visitou o Palácio de Governo até três vezes desde a posse de Jerí — mesmo estando em prisão domiciliar por suspeita de envolvimento em comércio ilegal de madeira.

Diante das denúncias, o Ministério Público abriu investigação preliminar por supostos crimes de patrocínio ilegal e tráfico de influência. Jerí prestou depoimento.

O presidente do Conselho de Ministros, Ernesto Álvarez, afirmou que o Palácio “não possui filtro” para verificar se visitantes estão sob investigação e declarou que Jerí teria sido vítima de “uma armadilha”.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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