• 7 de janeiro de 2026

Brasil, China, Rússia e União Europeia condenam captura de Nicolás Maduro em reunião da ONU

Em reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada na segunda-feira (5), em Nova York, representantes do Brasil, China, Rússia, União Europeia e outros países condenaram a ação dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, líder venezuelano deposto. A ofensiva americana provocou forte reação diplomática e acirrou o debate sobre soberania e legalidade internacional.

O representante do governo do presidente Donald Trump afirmou que a iniciativa foi uma operação de caráter policial, não militar, e rejeitou a classificação de guerra. Segundo Washington, a ação teve como objetivo a prisão de um “narcotraficante”, em referência direta a Maduro.

Brasil critica precedente perigoso

Sem citar diretamente autoridades americanas, o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, afirmou que a ofensiva contra a Venezuela impacta toda a comunidade internacional e cria um precedente perigoso.
“Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, declarou.

Danese reforçou que a força não pode se sobrepor à lei e que o futuro da Venezuela deve ser decidido pelos próprios venezuelanos, por meio do diálogo e do respeito às normas do direito internacional.

China e Rússia elevam o tom

A China alertou que o uso indiscriminado da força tende a gerar crises ainda mais graves. O embaixador Fu Cong afirmou que os Estados Unidos “pisotearam a soberania venezuelana” e agiram acima do multilateralismo. Pequim também cobrou garantias sobre a integridade física de Nicolás Maduro e de sua esposa.

Já a Rússia pediu a libertação imediata do líder venezuelano. O embaixador Vasily Nebenzya acusou os EUA de se colocarem como “juízes supremos” e criticou o ataque armado ocorrido na Venezuela. Segundo ele, Washington busca ampliar sua influência na América Latina, com interesse direto nos recursos naturais venezuelanos, especialmente o petróleo.

Posição dos Estados Unidos

Durante a reunião, o representante americano Mike Waltz afirmou que “não há guerra” em curso contra a Venezuela. De acordo com os EUA, a ação foi conduzida por forças policiais, com base em denúncias antigas relacionadas ao narcotráfico, e teve como objetivo “proteger cidadãos americanos do narcoterrorismo”.

Waltz também declarou que os Estados Unidos não permitirão que as maiores reservas energéticas do mundo fiquem sob controle de países considerados adversários.
“Maduro é um presidente ilegítimo. Ele e seus aliados manipularam o sistema eleitoral venezuelano por anos”, afirmou.

Como membro permanente do Conselho de Segurança, os Estados Unidos têm poder de veto, o que impede a aprovação de resoluções que condenem formalmente a ação americana.

Venezuela acusa “sequestro”

O governo da Venezuela classificou a captura de Maduro como um sequestro e acusou os EUA de violar normas fundamentais do direito internacional. O representante venezuelano Samuel Moncada afirmou que a ação ameaça não apenas seu país, mas a ordem internacional.

“Se o sequestro de um chefe de Estado e o bombardeio de um país soberano são tolerados, a mensagem é devastadora: o direito internacional torna-se opcional”, declarou.

ONU e Colômbia reprovam ofensiva

A Colômbia também condenou a ação americana, afirmando que houve violação da Carta da ONU e da soberania venezuelana. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com o desrespeito às normas internacionais, em mensagem lida pela subsecretária-geral Rosemary DiCarlo.

França e Dinamarca criticam ambos os lados

França e Dinamarca condenaram práticas antidemocráticas atribuídas a Maduro, mas também reprovaram a ofensiva dos Estados Unidos. Os países reforçaram que cabe exclusivamente ao povo venezuelano decidir o futuro do país.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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