A proteção das mulheres segue como uma das prioridades da política de segurança pública no Distrito Federal. Neste mês de março, dedicado à valorização e aos direitos femininos, a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) apresentou um conjunto de ações voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher, prevenção, acolhimento e resposta rápida a situações de risco.
As iniciativas integram o programa Segurança Integral, que reúne forças de segurança, órgãos do sistema de Justiça, secretarias do Governo do Distrito Federal (GDF), iniciativa privada e sociedade civil para ampliar a rede de proteção às mulheres em todo o DF.
Segundo o secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, a estratégia envolve tecnologia, capacitação e integração institucional.
“Temos investido em tecnologia, acolhimento, prevenção, capacitação e articulação institucional para garantir resposta rápida, salvar vidas e romper ciclos de violência.”
Para Avelar, o enfrentamento à violência de gênero exige atuação contínua e coordenada.
“A proteção das mulheres é uma pauta prioritária da segurança pública do Distrito Federal e exige atuação integrada e cada vez mais qualificada.”
Monitoramento em tempo real de vítimas e agressores
Entre as principais ferramentas utilizadas pela SSP-DF está o Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP), sistema que permite o monitoramento simultâneo de vítimas e agressores.
No modelo adotado no DF, a vítima recebe um dispositivo de alerta enquanto o agressor passa a utilizar tornozeleira eletrônica. Caso haja violação da área de exclusão determinada pela Justiça, o sistema dispara um alerta imediato para as forças de segurança.
Atualmente, 627 pessoas são monitoradas pelo sistema, sendo:
- 553 vítimas
- 74 agressores
A central de monitoramento funciona no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob) e passou por ampliação recente, com aumento no número de servidores e expansão das estações de monitoramento.
Outra inovação foi a criação de um chat direto entre vítimas e a central, permitindo envio de mensagens, áudios e fotos em tempo real.
Programa Viva Flor atende mais de 1,7 mil mulheres
Outro instrumento importante da rede de proteção é o programa Viva Flor, que permite que mulheres com medidas protetivas acionem rapidamente as forças de segurança em situações de ameaça.
Atualmente, 1.734 mulheres são atendidas pelo programa no Distrito Federal.
Em agosto de 2025, o Viva Flor foi ampliado para delegacias circunscricionais e passou a funcionar também nas unidades do:
- Paranoá
- Planaltina
- Gama
- Santa Maria
- Brazlândia
A ampliação levou em conta dados de incidência de violência doméstica nas regiões.
Em novembro de 2025, o Governo do Distrito Federal e o sistema de Justiça renovaram o acordo de cooperação técnica do programa, garantindo maior integração entre segurança pública e Judiciário por meio do Processo Judicial Eletrônico (PJe), o que acelerou a comunicação entre os órgãos e o atendimento às vítimas.
Parceria com aplicativo garante transporte seguro
A SSP-DF também ampliou, em agosto de 2025, a parceria com a Uber para garantir transporte seguro a mulheres vítimas de violência doméstica.
O benefício passou a atender também os Núcleos Integrados de Atendimento à Mulher (Nuiam) do:
- Paranoá
- Núcleo Bandeirante
- Riacho Fundo
- Vicente Pires
Após o atendimento, a vítima recebe um código promocional com desconto de R$ 40 por corrida, permitindo deslocamento seguro para casa, residência de familiares, hospitais ou abrigos especializados.
Formação e prevenção contra violência de gênero
A Secretaria também investe em ações educativas e preventivas para ampliar a rede de proteção.
Entre as iniciativas está a Aliança Protetiva, programa voltado à capacitação de lideranças religiosas e sociais para atuação no enfrentamento à violência contra a mulher.
Em 2025, 155 pessoas participaram da formação, que busca fortalecer a articulação comunitária e disseminar informações sobre prevenção e proteção.
Outro projeto é o curso Mulher Segura – Prevenção da Violência e o Protocolo Por Todas Elas, oferecido na modalidade EAD pela Escola Virtual da SSP-DF.
A formação é realizada em parceria com:
- Secretaria da Mulher
- Secretaria de Justiça e Cidadania
- Secretaria de Desenvolvimento Social
- Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-DF)
O curso é direcionado principalmente a profissionais de hotéis, bares, restaurantes, shoppings, casas de show e eventos, conforme previsto no Decreto nº 46.183/2024.
Educação e prevenção nas escolas
A SSP-DF também atua na prevenção por meio de programas educacionais.
O Programa Formativo de Promotores de Segurança Cidadã aproxima estudantes do ensino médio das forças de segurança com debates sobre:
- mediação de conflitos
- cidadania digital
- prevenção da violência contra meninas e mulheres
Em 2025, o projeto alcançou cerca de 1.700 estudantes.
Já o Turminha Mais Segura utiliza apresentações teatrais e linguagem lúdica para tratar de respeito, empatia e prevenção da violência com o público infantil.
No último ano, 3.264 crianças participaram das atividades.
Atendimento especializado e acompanhamento das vítimas
No âmbito da Polícia Militar, o Programa de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid) realiza acompanhamento contínuo de vítimas para evitar reincidência da violência.
Entre janeiro de 2025 e o início de 2026, o programa registrou:
- 2.625 pessoas atendidas
- 27.733 visitas solidárias realizadas
- 977 medidas protetivas monitoradas
O Distrito Federal também conta com atendimento especializado nas delegacias da mulher, que funcionam 24 horas, além da plataforma Maria da Penha Online.
Por meio da ferramenta, vítimas podem:
- solicitar medidas protetivas de urgência
- preencher avaliação de risco
- representar contra o agressor
- solicitar acolhimento em casa abrigo
- anexar documentos, vídeos e imagens
Valorização das mulheres na segurança pública
Entre as iniciativas institucionais, a SSP-DF lançou o Banco de Talentos Delas, plataforma destinada a mapear competências femininas dentro do sistema de segurança pública.
O cadastro é voltado para servidoras da SSP-DF, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Detran-DF interessadas em ocupar cargos de gestão e liderança.
A pasta também criou o Conselho das Mulheres da Segurança Pública do Distrito Federal, responsável por planejar ações voltadas à igualdade de gênero e à valorização profissional.
A subsecretária de Prevenção à Criminalidade, Regilene Siqueira, destaca que fortalecer a participação feminina também contribui para melhorar as políticas públicas.
“Valorizar competências femininas e ampliar a representatividade também é uma forma de qualificar a resposta do Estado no enfrentamento à violência contra a mulher.”
Medalha Mulher Mais Segura reconhece boas práticas
Como forma de incentivar iniciativas de combate à violência de gênero, a SSP-DF criou a Medalha Mulher Mais Segura, que reconhecerá ações e serviços de excelência no enfrentamento à violência contra mulheres.
A primeira entrega da comenda está prevista para a próxima terça-feira (10).
Foto: Divulgação/SSP-DF
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