• 6 de junho de 2026

Alfabetização no DF avança e índice de crianças alfabetizadas chega a 65%, acima da meta nacional

O Distrito Federal registrou avanço nos índices de alfabetização infantil e superou as metas previstas para 2025. Segundo dados da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF), o percentual de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental passou de 59% em 2024 para 65% em 2025, resultado superior à meta de 63% estabelecida para o período.

O desempenho é atribuído ao Programa de Alfabetização e Letramento do Distrito Federal (Alfaletrando), transformado em política pública permanente pelo Governo do Distrito Federal (GDF) em 2024. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a alfabetização nos anos iniciais da rede pública de ensino por meio da formação continuada de professores, acompanhamento pedagógico e monitoramento da aprendizagem.

De acordo com a SEEDF, o programa alcançou mais de 56 mil estudantes em 2024 e foi ampliado em 2025 para todos os anos iniciais do ensino fundamental. Em 2026, já atende 141.670 estudantes matriculados em 385 escolas da rede pública.

Além dos alunos, o Alfaletrando também investe na qualificação dos profissionais da educação. Cerca de 2,8 mil professores participaram das formações em 2024, número que subiu para 3,4 mil em 2025. Neste ano, aproximadamente 2,6 mil educadores seguem integrando as ações do programa.

Entre 2024 e 2026, o Governo do Distrito Federal investiu mais de R$ 40,3 milhões na política de alfabetização. Os recursos foram direcionados principalmente à Rede Distrital de Alfabetização e Letramento (Redalfa), composta por professores responsáveis pelo acompanhamento e fortalecimento das estratégias pedagógicas em toda a rede pública.

A iniciativa também busca reduzir os impactos provocados pela pandemia na aprendizagem dos estudantes, especialmente entre os alunos do 3º ao 5º ano do ensino fundamental.

“Tínhamos uma meta de 63% de crianças alfabetizadas em 2025 e alcançamos 65%. Isso retrata o trabalho que vem sendo feito desde a construção do Alfaletrando, um programa elaborado por profissionais da própria rede. A formação continuada, o acompanhamento pedagógico e o compromisso dos professores com a aprendizagem das crianças têm sido fundamentais para esse avanço”, afirma a chefe da Unidade de Gestão Estratégica da Educação Básica da Subsecretaria de Educação Básica, Divaneide Lira Lima Paixão.

Resultados aparecem dentro das escolas

Na Escola Classe 02 do Riacho Fundo II, uma das unidades participantes do programa, os avanços já podem ser observados nos indicadores internos. Em apenas dois meses, o percentual de estudantes alfabetizados passou de 30,6% para 43,4%, crescimento de 12,8 pontos percentuais.

No mesmo período, o número de alunos classificados como pré-silábicos caiu de 13,7% para 6,7%, demonstrando evolução significativa no processo de alfabetização.

A diretora da unidade, Michele Rodrigues Alves, destaca que o resultado é fruto do acompanhamento constante dos estudantes e do planejamento coletivo desenvolvido pela equipe pedagógica.

“A gente acredita muito no processo de aprendizagem. Fazemos acompanhamento e monitoramento contínuos, investimos na formação dos professores, construímos uma rotina diária de alfabetização e trabalhamos com atividades de leitura, escrita e consciência fonológica”, explica.

Atualmente, a escola atende 622 estudantes nos turnos matutino e vespertino. Entre as ações desenvolvidas estão momentos semanais de leitura, empréstimo de livros por meio da sacola literária e análise periódica dos resultados das avaliações para direcionar intervenções pedagógicas.

Formação de professores fortalece aprendizagem

A professora Raiza Morais, que atua com alunos de 6 e 7 anos, afirma que as formações oferecidas pelo programa ampliam as possibilidades de ensino dentro da sala de aula.

“O programa traz atividades lúdicas que ajudam a despertar o interesse dos estudantes. Hoje percebemos que as crianças não apenas decodificam palavras, mas compreendem seus significados e conseguem relacioná-los ao mundo à sua volta”, destaca.

Famílias acompanham evolução dos estudantes

Os resultados da política pública também são percebidos pelas famílias. Mãe de Jonathan Santos Moura Pinéo, de 9 anos, Doris Silva Santos relata a evolução do filho, diagnosticado com transtorno do espectro autista (TEA), deficiência intelectual leve e TDAH.

“Este ano ele está lendo e escrevendo. A criança que entrou aqui e a criança que ele é hoje são completamente diferentes. Ele sempre foi muito acolhido pela escola, pelos professores, pela coordenação e pelos monitores”, afirma.

Para o professor Alan Julie de Oliveira, pai de duas estudantes da rede pública, a participação da família é fundamental para o desenvolvimento das crianças.

“A escola vai muito além da sala de aula. Ela aproxima as famílias, incentiva a leitura, promove cidadania e cria um ambiente seguro para o aprendizado”, ressalta.

Com resultados acima das metas estabelecidas e ampliação do alcance da política pública, o Programa Alfaletrando consolida-se como uma das principais estratégias da Secretaria de Educação do Distrito Federal para fortalecer a alfabetização e melhorar os indicadores educacionais da rede pública.

Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília


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