CLDF votará convocação de Guto, irmão de Rollemberg, e fala em CPI

Após parlamentares do DF e candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) classificarem de “gravíssimas” as acusações da polícia e do Ministério Público sobre tráfico de influência e advocacia administrativa praticados por uma organização criminosa que age no Palácio do Buriti, distritais querem ouvir os envolvidos no escândalo.

Nesta segunda-feira (13/8), em reunião no Colégio de Líderes da Câmara Legislativa (CLDF), deputados decidiram submeter à votação, na sessão de terça (14), o pedido de convocação de Carlos Augusto Sobral Rollemberg – o Guto, irmão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) – e do agora ex-assessor especial da Casa Civil Marcello Nóbrega.

Guto e Nóbrega estão entre os principais suspeitos de envolvimento no esquema investigado pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (Cecor), da Polícia Civil, e pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As apurações embasaram o Inquérito 386/2018, que deu origem à Operação (12:26). O Metrópoles teve acesso ao documento com exclusividade.

Ante a gravidade do caso, foi decidido levar a discussão ao plenário, sob protesto do líder do governo na CLDF, Agaciel Maia (PR). Apesar da tentativa de Agaciel no sentido de evitar a votação capaz de obrigar Guto Rollemberg e Marcello Nóbrega a prestarem esclarecimentos, o presidente da Casa, Joe Valle (PDT), disse que caberá ao colegiado votar a medida.

“O que vamos fazer é colocar para os deputados discutirem em plenário. Caberá ao governador trabalhar sua base, para deixar ou não que eles sejam convocados”, disse Joe, o qual ainda usou um tom irônico para comentar as graves denúncias que pairam sobre pessoas próximas ao governador.

Eu sou apenas um verdureiro. O que sei é: quando plantamos alface, não nasce tomate. A gente só colhe aquilo que planta

Joe Valle (PDT), presidente da CLDF

CPI
A deputada Celina Leão (PP) subiu o tom e defendeu ações duras contra o GDF. A parlamentar sustentou que, a depender do resultado das oitivas com os suspeitos, pode propor a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI).

Para o deputado Raimundo Ribeiro (MDB), as acusações contra o irmão de Rollemberg impactam negativamente a tentativa de reeleição do governador. “Se antes esse governo era moribundo, agora está definitivamente enterrado. Não passa de um zumbi”, atacou Raimundo.

Reação governista
Único a manifestar-se contrariamente às convocações de Guto Rollemberg e Marcello Nóbrega, Agaciel Maia disse tratar-se de “uma questão de coerência”.

“Da mesma forma que em outros momentos fui contra a convocação de investigados, agora também não acredito que seja este o papel da Casa. Vou passar a noite lendo sobre o caso e, amanhã [terça, 14/8], vamos pedir para a base derrubar essa convocação”, afirmou Agaciel.

Para aprovar a convocação, é preciso maioria simples, sendo que são necessários 12 dos 24 distritais em plenário para possibilitar a votação.

Nas contas do governo, hoje o governador teria apenas seis votos para tentar derrubar as convocações: Agaciel, Chico Leite (Rede), Lira (PHS), Luzia de Paula (PSB), Professor Israel Batista (PV) e Telma Rufino (Pros). Poderiam ser sete, mas, na semana passada, Juarezão (PSB) pediu licença para tratar de assuntos pessoais.

Apurações
A Operação (12:26) foi deflagrada no último dia 7, quando foram mobilizados 54 policiais e 12 delegados. Houve o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em Brasília e São Paulo. As equipes estiveram na sede do Palácio do Buriti para recolher documentos e mídias que pudessem ajudar na investigação.

Os mandados tinham seis alvos principais: o então assessor especial da Casa Civil Marcello Nóbrega; o administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann; Leonardo Rocha de Almeida Abreu (irmão de Guilherme, chefe de gabinete da Casa Civil); Luiz Fernando Messina, ex-assessor do deputado distrital Rodrigo Delmasso; e Hermano Gonçalves de Souza Carvalho, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão de Agnelo Queiroz e também ex-assessor de Delmasso.

O Inquérito 386/2018 traz uma série de outros nomes – entre eles, o de Guto Rollemberg. Alvo de interceptações telefônicas da Polícia Civil a partir de autorização judicial, o advogado é caracterizado como “ponto focal” de diversas ingerências junto à administração pública e com alto poder de “motricidade” perante o governo, embora não exerça nenhum cargo no GDF.

O outro lado
No mesmo dia em que a Operação (12:26) foi deflagrada, o Governo do Distrito Federal emitiu nota para esclarecer pontos específicos divulgados até então pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. No documento, o governo nega as acusações feitas pelos investigadores sobre a existência da prática de advocacia administrativa e tráfico de influência.

Em nota enviada à reportagem, Guto Rollemberg diz que “nunca recebeu nem jamais receberia vantagem de qualquer natureza pelas denominadas ‘interferências’ no GDF”. O advogado considerou “as investidas” que está sofrendo como “um ardil político para tentar atingir o governador”.

Marcello Nóbrega, exonerado no dia em que o escândalo veio à tona, não quis comentar o caso.

Matéria do portal Metrópoles

Foto: Divulgação/Metrópoles

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s