• 23 de julho de 2024

A ESCOLA QUE DESEJO | O que nos espera no futuro – por professor Paulo Foina

Elaborar cursos e educar jovens são ações que visam o futuro. A educação de uma criança de sete anos deve visar não a sociedade atual, mas a que esse jovem vai encontrar em quatro, sete, 15 ou mais anos.

O papel mais difícil é imaginar quais as habilidades e competências socioemocionais o futuro exigirá dos jovens de hoje. Quais as profissões que ele vai encontrar no início da sua vida profissional?  Que comportamentos sociais serão exigidos para se ter sucesso na vida?

A partir desse cenário e das respostas a essas perguntas, se constroem as estratégias educacionais e os currículos.

Tentar prever o futuro é um exercício de alto risco e com poucas chances de sucesso, mas é preciso para que o planejamento seja eficaz. O futuro não é mais uma simples continuidade do passado, ele se modifica profundamente a cada dia.

Os conhecimentos e as habilidades necessárias para o mundo de hoje podem ser irrelevantes no futuro próximo.

Apesar de imprevisível, algumas tendências parecem ter vindo para ficar e podemos usá-las para ajustar nossos projetos pedagógicos:

Inovação: o mundo atual já e dirigido pela inovação e o futuro será ainda mais. Os trabalhos mais simples serão realizados por máquinas e sistemas inteligentes, restando ao ser humano as tarefas mais nobres e criativas. Precisamos desenvolver nos estudantes o espírito inovador (que nos jovens se confunde com o revolucionário e contestador). Sua escola incentiva ou inibe a criatividade e a subversão do status quo?

Resiliência: como tudo muda rapidamente, é preciso adaptar-se às novas condições também muito rapidamente. Enfrentaremos a extinção e surgimento de profissões, crises hídricas, extremos ambientais, carência de alimentos, novas guerras regionais, colapsos econômicos etc. Nossos jovens precisam ser treinados para aceitarem as mudanças e aproveitarem rapidamente as oportunidades que surgirem. Sua escola ensina os estudantes a se adaptarem ou segue sempre a mesma rotina diária?

Digitização: tudo tende a ser digitizado e transformado em serviços. “Ter coisas” será substituído por “usar coisas” e essas coisas estarão ao alcance dos dispositivos pessoais de comunicação (hoje são os smartphones). Conhecer a operação de recursos digitais já é tão importante quanto dominar a língua portuguesa. Qual a importância do letramento digital e habilidades tecnológicas no seu projeto pedagógico?

Democratização do conhecimento: podemos encontrar a resposta a quase todas as questões na Internet e essa facilidade vai aumentar exponencialmente nos próximos anos. Saber buscar e avaliar conhecimentos e informações na Internet já é mais importante do que reter esse conhecimento na memória. Quanto tempo a sua escola perde transferindo aos jovens conhecimento que eles podem obter rapidamente na Internet? Sua escola desenvolve a visão crítica e as boas práticas de curadoria de conhecimento nos seus estudantes?

Responsabilidade socioambiental: respeitar os limites do planeta e ao mesmo tempo oferecer condições dignas de vida a toda a população é uma necessidade urgente para sobrevivência da raça humana na Terra. Consumimos mais de 20% acima da capacidade de recuperação do planeta desde 1980. Precisamos começar a pagar essa dívida. Quem mais sofre são as pessoas com menor capacidade econômica e escolaridade. O quanto sua escola sensibiliza seus alunos para o respeito ao planeta e a busca de melhorias para a sociedade próxima?

Honestidade intelectual: Num mundo onde as informações, textos, imagens, vídeos e dados estão fartamente disponíveis na Internet, os usuários precisam saber o que é franqueado ao público e o que é protegido por propriedade intelectual. Respeitar os autores, citar corretamente as fontes usadas e, principalmente, não plagiar são atitudes de honestidade intelectual exigida cada vez mais. Como sua escola encara a “cola” e os plágios? Qual a punição dada aos que violam esses preceitos?

As escolas precisam se preparar para formar esses novos cidadãos. Precisa disseminar essas habilidades através de atividades em gruo, construção de equipamentos e máquinas, debates e estudo dirigido. Na escola moderna o principal ator é o aluo e não mais o professor.

Pensem nisso.

Paulo Rogério Foina é físico com mestrado e doutorado em Computação e pós-doutorado em Engenharia de Sistemas. Professor, pesquisador, empresário e atuou como executivo de tecnologia de grandes empresas nacionais e multinacionais. Atualmente é presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação – ABIPTI.

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