A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, na madrugada do sábado (3/1), durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos, provocou um abalo sem precedentes no núcleo do chavismo e abriu uma disputa silenciosa pela sucessão do poder em Caracas.
Após mais de uma década de domínio absoluto, sem contestação interna relevante, a captura do principal herdeiro político de Hugo Chávez (1954–2013) rompeu o equilíbrio que sustentava a cúpula governista venezuelana. Com Maduro fora de cena, figuras históricas do regime emergem como pilares de sustentação e possíveis protagonistas do próximo capítulo político do país.
Delcy Rodríguez
Vice-presidente da Venezuela e ministra do Petróleo, Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência após a prisão de Maduro. Considerada uma das mulheres mais poderosas do regime, ela acumula funções estratégicas e possui forte atuação internacional.
Delcy iniciou sua trajetória política ainda no governo Chávez e consolidou poder durante a gestão de Maduro, passando por ministérios-chave como Comunicações, Economia e Relações Exteriores. Em 2017, presidiu a controversa Assembleia Nacional Constituinte.
Sancionada pela União Europeia e pelos Estados Unidos por violações de direitos humanos e ataques à democracia, Rodríguez também esteve no centro de crises diplomáticas, como o episódio conhecido como “Delcygate”, ocorrido em Madri, em 2020.
Diosdado Cabello
Apontado há anos como o “número dois” do chavismo, Diosdado Cabello mantém influência política e militar mesmo após a prisão de Maduro. Ex-presidente da Assembleia Nacional e atual ministro do Interior e Justiça, Cabello é primeiro vice-presidente do partido governista PSUV.
Aliado histórico de Chávez, participou do golpe fracassado de 1992 e ocupou praticamente todos os cargos centrais do Estado venezuelano. Apesar das especulações sobre rivalidade com Maduro, Cabello sempre negou disputas internas.
Ele é alvo de sanções dos EUA, acusado de envolvimento com tráfico de drogas e corrupção. Em 2025, Washington elevou para US$ 25 milhões a recompensa por informações que levem à sua prisão.
Vladimir Padrino
No campo militar, o nome central é o do general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa desde 2014. Com mais de uma década no cargo, ele se tornou o ministro da Defesa mais longevo da história venezuelana.
Padrino foi decisivo para estabilizar as Forças Armadas após a morte de Chávez e ampliou o papel dos militares na economia e na administração pública. Hoje, mais de um terço do gabinete é composto por militares da ativa ou da reserva.
Analistas avaliam que a permanência de Padrino é fundamental para evitar rupturas internas no regime.
Jorge Rodríguez
Presidente da Assembleia Nacional e principal estrategista eleitoral do chavismo, Jorge Rodríguez desponta como um dos possíveis sucessores de Maduro. Médico psiquiatra e ex-presidente do Conselho Nacional Eleitoral, ele tem longa trajetória no poder.
Rodríguez liderou negociações com a oposição e com governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, além de ter comandado a campanha de Maduro nas eleições de 2024.
Ao lado da irmã Delcy, ele é considerado um dos principais articuladores políticos do regime e visto por analistas como o nome mais preparado intelectualmente para liderar uma transição interna controlada.
Um chavismo sem Maduro
A prisão de Nicolás Maduro inaugura um cenário inédito na Venezuela: um chavismo sem seu principal líder. Embora a estrutura de poder ainda se sustente em nomes históricos, o equilíbrio interno passa a ser testado por disputas silenciosas, pressões internacionais e incertezas institucionais.
O futuro do regime dependerá da capacidade dessa cúpula em manter coesão diante do maior abalo político desde a morte de Hugo Chávez.
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