• 2 de março de 2026

Ataques ao Irã e fechamento do Estreito de Ormuz fazem preço do petróleo disparar e bolsas mundiais operarem em queda nesta segunda (2)

Os preços do petróleo e do gás natural dispararam, enquanto as bolsas mundiais operaram em forte queda nesta segunda-feira (2), após a escalada do conflito no Oriente Médio. A tensão foi desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela retaliação de Teerã, incluindo o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz.

O principal impacto nos mercados foi registrado no setor aéreo e de turismo, cujas empresas lideraram as perdas globais diante da alta nos combustíveis e do risco geopolítico.

Petróleo Brent e WTI sobem até 14% após ataques

O preço do barril do Brent crude oil chegou a subir quase 14%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançou 12% na abertura dos mercados internacionais.

A disparada ocorre após o ataque que matou o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, além de outros dirigentes do país, ampliando o risco de um conflito regional prolongado.

O transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, foi diretamente afetado. O bloqueio da passagem elevou o chamado “prêmio de risco geopolítico” nos contratos futuros.

O Brent, referência internacional, já vinha acumulando alta e fechou a sexta-feira cotado a US$ 72 — bem acima dos US$ 61 registrados no início do ano.

Às 8h15 GMT (5h15 de Brasília), o Brent subia 9,7%, a US$ 79,95, enquanto o WTI avançava 9%, a US$ 73,04.

Gás europeu dispara mais de 20%

O preço do gás natural na Europa também reagiu com força. O contrato futuro do TTF holandês, referência no continente, operava em alta superior a 20%, após atingir 38,885 euros. A guerra coloca em risco as exportações de gás natural liquefeito (GNL) do Golfo, especialmente do Catar.

Bolsas da Ásia e Europa fecham em queda

As bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente no vermelho:

  • Tóquio: -1,4%
  • Hong Kong: -2,1%
  • Xangai: +0,5% (única alta na região)

Na Europa, o cenário também foi negativo na abertura:

  • Paris: -1,96%
  • Frankfurt: -1,99%
  • Milão: -2,13%
  • Londres: -0,55%
  • Madri: -2,58%

Setor aéreo lidera perdas

O setor aéreo e de turismo foi o mais prejudicado:

  • ANA e JAL (Japão): perdas superiores a 5%
  • Air France-KLM: -7,24%
  • Lufthansa: -5,77%

Por outro lado, as empresas de energia registraram ganhos expressivos:

  • Shell: +5,32%
  • BP: +4,70%
  • Repsol: +4,29%
  • TotalEnergies: +3,97%

Petróleo pode superar US$ 100?

O Brent acumula alta superior a 19% no ano, enquanto o WTI sobe cerca de 17%.

“Os mercados reconhecem a gravidade do conflito, mas sinalizam que, por ora, trata-se de um choque geopolítico e não de uma crise sistêmica”, afirmou Priyanka Sachdeva, analista sênior da Phillip Nova.

A Opep+ anunciou no domingo aumento da produção de 206 mil barris por dia a partir de abril. Segundo analistas, a maior parte dos produtores já opera próxima da capacidade máxima, com exceção da Arábia Saudita.

Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional (OMI) recomendou que empresas evitem a área. O custo dos seguros marítimos disparou, e grandes companhias suspenderam a passagem pelo Estreito de Ormuz.

Embora países importadores mantenham estoques estratégicos — membros da OCDE são obrigados a manter reservas equivalentes a 90 dias de importação — analistas não descartam que o barril ultrapasse a marca de US$ 100 caso o conflito se intensifique.

Foto: Reprodução/Google Imagens


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