Entrevista Dr. Charles (PHS) – pré-candidato a deputado federal

“No sistema democrático, nós só temos uma arma que é o voto. Quando você deixa de exercer a sua cidadania, você passa a ajudar grandes grupos”, Dr. Charles (PHS), pré-candidato a deputado federal.

Perfil

Mineiro de nascença, mas taguatinguense de coração. Assim podemos definir o médico ginecologista, Charles Roberto de Lima, o Dr. Charles. Quando criança gostava de brincar com os amigos de arrumar a rua onde morava para que ela ficasse bonita. Estudou nas escolas de Taguatinga e se formou em medicina pela Fundação da Universidade do Amazonas, hoje, Universidade Federal do Amazonas. Carrega com ele, o orgulho de ter feito internato, residência médica e foi staff (assessor) do Hospital Regional de Taguatinga até chegar ao cargo de diretor da unidade. Ao aceitar o convite para atuar na área administrativa, Dr. Charles revolucionou a forma de atendimento à população quando foi gestor do Centro de Saúde nº 04 de Taguatinga. Devido aos bons resultados, Dr. Charles foi subindo degrau por degrau até se eleger deputado distrital por dois mandatos. Recentemente, pensou em sair de cena da vida pública, mas os inúmeros pedidos para que reconsiderasse a sua posição o fez voltar e agora disputará uma das vagas do DF na Câmara dos Deputados.

Confira a entrevista exclusiva que o médico concedeu ao Expressão Brasiliense e conheça a sua trajetória de vida e política, bem como saiba quais são as suas intenções e propostas como político.

Expressão Brasiliense: Quem é o Dr. Charles? De onde é? Fale um pouco sobre a sua história.

Dr. Charles: Eu sou de Monte Carmelo, Minas Gerais. Meus pais chegaram em Brasília entre 1958 e 59. Eu era bebê e eles moraram primeiro na Cidade Livre, hoje, Núcleo Bandeirante. Depois, meus pais vieram moram em Taguatinga Sul. Eu estudei nos colégios da região como Marista, Cemab. A minha infância toda foi em Taguatinga.

EB: Quantos anos o senhor tem hoje?

DC: (Risos). Eu prefiro nem falar (risos). Depois que passa dos 60, a gente não gosta de falar. Eu tenho 61.

EB: Então, Taguatinga é a sua referência de memória de sua infância e adolescência?

DC: Sim. Eu cresci em Taguatinga. Foi em Taguatinga que comecei a me envolver com as questões sociais. Aos 12 anos, eu juntava um grupo de meninos e nós pintávamos os meios-fios da rua para que ela ficasse bonita. Nós gostávamos de promover esse tipo de ações para deixar a cidade limpa. Nós achávamos que estávamos beneficiando a cidade ao fazer isso.

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Aos 12 anos, eu juntava um grupo de meninos e nós pintávamos os meios-fios da rua para que ela ficasse bonita.

EB: E onde o senhor morou aqui em Taguatinga?

DC: O primeiro lugar que moramos foi na CSD, na Vila Matias. Depois de um tempo, nós fomos para a QNA 3. Na QNA eu fiquei até chegar à fase de adulto.

EB: O senhor ainda mora em Taguatinga?

DC: Hoje, estou morando em Águas Claras. Mas, é temporário. Eu ainda tenho residência em Taguatinga.

EB: Na adolescência, o senhor já pensava em ser médico?

DC: Sim. Eu sempre quis ser médico.

EB: O senhor se formou em qual instituição?

DC: Eu comecei a estudar na UnB, mas eu me formei pela Fundação da Universidade do Amazonas.

EB: E quando o senhor ingressou na Secretaria de Saúde?

DC: Eu entrei para a Secretaria de Saúde em 1986. A primeira cidade que trabalhei foi Planaltina. Depois vim para Taguatinga. Eu fui diretor do Centro de Saúde nº 04 que foi onde eu implantei um atendimento diferenciado à população. Nós transformamos o local num lugar onde se fizesse saúde, que impedisse que as pessoas ficassem doentes. Tanto é que naquela região é o lugar onde as pessoas menos adoecem.

EB: Por que?

DC: Nós construímos uma piscina e um campo de futebol para que as pessoas pudessem fazer hidroginástica e atividades de baixo impacto. As pessoas da região sofriam muito com dor de coluna, os idosos, em sua maioria, eram cardíacos. E nós nos tornamos referência nacional como Centro de Saúde. Tudo isso feito com um custo muito baixo. Mas, esses caras, acabam com as coisas que dão certo.

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Nós nos tornamos referência nacional como Centro de Saúde. Tudo isso feito com um custo muito baixo. Mas, esses caras, acabam com as coisas que dão certo.

EB: Isso foi recente?

DC: Até o ano passado ainda estava em funcionamento as ações que fizemos. Tinha uma demanda de 500 pessoas querendo participar dessas atividades. Inclusive, os servidores do próprio Centro de Saúde participavam dessas atividades no horário do almoço deles. A nossa proposta era oferecer qualidade de vida para o próprio servidor da Secretaria de Saúde além da comunidade atendida.

EB: Era uma proposta inovadora para a época?

DC: Sim. Era revolucionária. Eu fui convidado para dar palestra sobre esse trabalho até na Suíça. Eu ministrei várias palestras para apresentar esse modelo que implantamos nesse Centro de Saúde. Nós tínhamos uma proposta diferente e, eu, particularmente, achei que podíamos saúde desse jeito. Pensamos que saúde se faz evitando que as pessoas fiquem doentes. Foi nessa época, que o Dr. Frejat vendo o nosso trabalho me chamou para ser o diretor do Hospital de Taguatinga. Eu acho que fiz um bom trabalho no hospital. O hospital se tornou referência em pé diabético, inclusive, viajei por diversas vezes para falar sobre esse assunto. O banco de leite que implantamos era referência mundial. Nós tínhamos alguns nichos de excelência. Nós reformulamos o segundo andar, o terceiro. O quarto andar era uma área só para residentes, nós projetamos ele para ter atendimento terciário que era levar a cardiologia e a neurologia para lá, mas, aí coincidiu com a minha saída para concorrer ao cargo de deputado distrital. Aí não foi dado sequência e ficou o quarto andar com a biblioteca e não fizeram o que nós esperávamos. As mulheres quando iam ganham neném tinham que passar pelo pronto-socorro. Tinham que ficar entre os baleados, esfaqueados e pessoas acidentadas. Aí quando a mulher ia ter que ficar, davam a ela uma camisola que a parte de trás ficava toda aberta e as mulheres acabavam que ficavam expostas, gerando um constrangimento geral entre todos. Essa questão da maternidade, eu resolvi logo na primeira semana. Fizemos um trabalho em tempo recorde. Até a hoje a gestante quando vai para o HRT, ela já entra diretamente para a maternidade. Não era possível que elas tinham que passar pelo corredor, praticamente, nua deixando toda a família constrangida. Nós avançamos muito na minha época.

EB: Em que sentido foram esses avanços?

DC: Além desses que já falei, nós conseguimos aparelhos novos para a ortopedia, nós fizemos o banco de sangue, tínhamos macas novas, mudamos a forma de atendimento do pronto-socorro. Ao todo, que eu me lembrei, nós fizemos 25 obras de peso em todo o hospital. Nós melhoramos a qualidade de vida do trabalhador e oferecíamos um serviço de qualidade à população.

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Nós melhoramos a qualidade de vida do trabalhador e oferecíamos um serviço de qualidade à população.

EB: Quais foram os cargos que o senhor ocupou na Secretaria de Saúde?

DC: Eu fui chefe do Centro de Saúde nº 04 de Taguatinga, diretor do Hospital de Taguatinga, diretor da regional de saúde de Taguatinga e diretor do Programa Saúde da Família do DF.

EB: O senhor gostava mais de atuar na área administrativa do que na área médica?

DC: Eu fui médico de pronto-socorro por muitos anos. Eu atuei na parte da ralação de um hospital como se diz. Eu vivenciei muitas coisas na maternidade. Se eu for contar, são histórias superinteressantes.

EB: E quando surgiu o primeiro convite, o senhor pensou em declinar?               

DC: Olha, eu fiquei pensando. Será se eu vou? E as pessoas me diziam vai, você dá conta e tal. Eu conhecia muita gente que atuava na parte administrativa. Mas, olha. Eu tenho uma alegria na minha carreira profissional. Como atuei muito tempo em pronto-socorro, atendendo todo tipo de situação envolvendo mulheres gestantes ou com sangramento, enfim, eu nunca recebi nenhum tipo de advertência nem por escrito e nem verbal. Não possuo nenhum registro de má conduta seja no hospital, no centro de saúde, no CRM, no sindicato, enfim, sempre trabalhei de forma correta. Nunca recebi uma reclamação de pacientes ou de usuários dos locais onde administrei, até mesmo de servidores.

EB: E como o senhor foi se envolver com a política? O senhor que quis ou alguém lhe estimulou?

DC: Meu pai já foi vereador. Já está no DNA (risos).

EB: Onde ele foi vereador?

DC: Em Monte Carmelo mesmo.

EB: Então, ele veio para Brasília, mas vocês não perderam o elo com a cidade natal?

DC: Não perdemos, pois temos muitos parentes na cidade. A gente sempre voltava. Meus avôs ficaram lá e até eles falecerem íamos com mais frequência.

EB: Mas, como começou na política?

DC: Foi por meio desse trabalho que desenvolvi a frente desses locais que passei na vida administrativa. O primeiro convite foi para dirigir o centro de saúde. Quando eu aceitei, eu queria desenvolver um projeto que mudasse a vida dos outros. Como fiz um bom trabalho, algumas pessoas me chamaram e me disseram: olha você tem tino para essa coisa; se você tiver um mandato você ajudar mais pessoa. Foi então que eu pensei nisso.

EB: Então, assim que o senhor entrou no Centro de Saúde já se envolveu com a política?

DC: Não, não. Participei de algumas associações como o Lions e o Rotary. E aos poucos fui conhecendo mais sobre a política em si.

EB: O senhor já se filiou em quais partidos?

DC: Eu já fui do PTB, PR e, agora, estou no PHS.

EB: Quantas eleições o senhor disputou antes de se eleger?

DC: Olha eu disputei duas eleições antes de me eleger distrital. A primeira praticamente eu não fui para a rua fazer campanha. Eu tive cerca de 3 mil votos. O pessoal que me lançou, mas de fato eu não saí em busca de votos.

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Meu pai era muito fanático por política. Ele nos envolvia.

EB: E como pegou gosto pela política?

DC: Meu pai era muito fanático por política. Ele nos envolvia. Ele queria que eu fosse prefeito em Abadiânia, Goiás. A maior rua de lá, tem o nome dele. Eu declinei em me candidatar por lá porque achava que era daqui, mas, cheguei a ser secretário de saúde de lá.

EB: Doutor, e antes de ser parlamentar, quais foram essas associações que o senhor participou?

DC: Eu já fui do Lions e do Rotary Club. Participei efetivamente desses clubes de serviço. Eu também montei uma ONG voltada para a saúde onde nós conseguimos atender mais de 3 mil pessoas…

EB: E como era a atuação dessa ONG?

DC: Nessa ONG nós fazíamos atendimento na área médica, odontológica, nós tínhamos nutricionista, profissionais de enfermagem e da área social…

EB: Onde ela funcionava?

DC: Era em Samambaia. Mas, o braço dela era itinerante. Nós fazíamos durante o fim de semana atendimento em quase todo o DF. A ONG funcionava assim: eu juntava alguns colegas médicos e de enfermagem, e íamos para as cidades. Era um trabalho totalmente voluntário.

EB: E a experiência como deputado distrital, como foi para o senhor?

DC: Confesso que tive um pouco de dificuldade no começo.

EB: Por que?

DC: Porque você tem que ter um jogo de cintura para aprender como funciona as coisas, principalmente, no meio político. Você tem que aprender a ser parlamentar. Tem muita coisa que é repetitiva ou menos. E tem muitos acordos, que são próprios do processo democrático, mas que precisa aprender a lidar com isso. Eu tive dificuldade em aceitar certas atitudes, enfim, eu tive que aprender o que é ser parlamentar. Em determinada época do meu primeiro mandato eu pensei em não participar e me envolver mais com a política. Mas aí as pessoas me falavam: olha, você não pode fazer isso por causa dos seus eleitores que confiam muito em você e tal. E acabei aceitando e aprendendo cada vez mais. Aí eu resolvi continuar. No segundo mandato, eu tive mais de 14 mil votos e fique com a primeira suplência. Depois, eu assumi o cargo. Eu tive muito mais votos do que muitos que estavam lá, mas não entrei por causa da coligação. Em 2014, eu tentei novamente e não me elegi, e com a quantidade de votos maior do que muitos que se elegeram. Aí depois eu decidi que não queria mais saber de política…

EB: Por que o senhor não queria mais?

DC: Eu achava que já tinha dado a minha contribuição. Essa questão de tem muitos votos e não se eleger também me deixou muito chateado.

EB: O senhor é contra esse atual sistema de eleição para cargos proporcionais?

DC: Absolutamente. Sabe por que eu sou contra? Eu não sou contra apenas por minha causa, não. Eu sou contra porque não representa a vontade do eleitor. O eleitor vota em uma pessoa e esse sistema permite que eleja outra. Não concordo com isso. Bom, eu estava determinado a não mexer mais com política. Eu fiquei três anos sem participar de nada que fosse relacionado à política.

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A saúde nesse último governo entrou em um colapso brutal. Os colegas começaram a me questionar se eu não ia fazer nada.

EB: E o que fez o senhor querer voltar?

DC: A saúde nesse último governo entrou em um colapso brutal. Os colegas começaram a me questionar se eu não ia fazer nada. Se eu ficar parado olhando a rede hospitalar do DF se acabar. Eu confesso que fui resistindo, dizendo a eles que não ia me envolver mais. Eles alegaram que a saúde não tinha ninguém para ser representante da área na Câmara Federal. Além dos colegas médicos, outros servidores amigos como o Gonzaga e o Raimundão da Ceilândia ficavam me ligando e indo ao meu encontro me pedindo para voltar. O Raimundão, por exemplo, toda semana ele falava comigo e me dizia: você não pode fazer isso. O Frejat também falou comigo que era preciso que eu me candidatasse novamente. Aí eu resolvi aceitar essa missão de tentar me eleger para deputado federal com o objetivo de contribuir não só com a área da saúde, mas com todo o DF.

EB: Doutor, antes da gente falar sobre a pré-candidatura para federal, gostaria que nos falasse como foi ser deputado distrital? Qual foi o legado deixado pelo Dr. Charles?

DC: Eu fiz algumas coisas quando estava na Câmara Legislativa. Por exemplo, a lei que obriga que todo hospital ou órgão público tenha um tradutor de libras (língua brasileira de sinais). A lei já foi sancionada, mas ainda falta fazer isso na prática. Eu cheguei a ganhar o prêmio de melhor legislador brasileiro devido a essa lei. Na CLDF, tentaram por mais de 20 anos implantar um ótimo projeto que é a Escola do Legislativo, mas que só foi efetivada quando eu estive lá. Me orgulho muito disso. O projeto de Resolução que criou a Escola é de minha autoria. Outra lei de minha autoria é a obrigatoriedade do caminhão de gás ter a balança para pesar o botijão no momento que o usuário fizer a compra. A questão do cigarro e do tabagismo eu estava quase emplacando na CLDF, aí veio a lei federal que se sobrepõe.

EB: Houve alguma decepção na CLDF?

DC: Assim, eu tinha dificuldade em entender e compreender algumas coisas interna corporis. Mas, eu não me arrependo. Eu pude fazer a minha parte. Eu consegui negociar a incorporação da GAM que é a maior gratificação que os colegas têm em seus salários. Lembro que os agentes comunitários de saúde iam ficar de fora e conseguir ajudar para que eles fossem contratados. No Brasil todo, os agentes comunitários iam ter sua situação regularizada e os do DF ficariam de fora. Logicamente, que esse trabalho foi na Câmara Federal, mas que nós participamos articulando e negociando a garantia da permanência deles.

EB: E a situação da área de saúde hoje? Como que o senhor vê?

DC: Em toda a minha carreira, e posso afirmar categoricamente, nunca foi tão ruim. Os que estão aí são pessoas neófitas. Não sabem o que estão fazendo. Eles tentaram mexer na atenção básica, que de fato precisa, mas não da forma abrupta que está sendo feita. Eles colocaram os especialistas para fazer atendimento do Saúda da Família. Como que um colega que não sabe nada de pediatria vai atender uma criança. Alguns colegas estão surtando com tamanha falta de gestão desse governo. Hoje, os hospitais não atendem mais ninguém. Os servidores não têm como trabalhar por falta de material. As UPAs não atendem mais ninguém. Aí a pessoa deve se dirigir para os centros de saúde que são locais que não foram preparados para isso. Recentemente, eles removeram vários servidores de seus locais de trabalho. Inclusive eu. Antes de entrar em licença para me candidatar para federal, eu recebi o comunicado que serei removido compulsoriamente, sem falar comigo, eu não assinei nada, eu não fui notificado, minha chefia não soube de nada. Eles são cruéis. Para eles, não importa quanto anos a pessoa já tem ali. Se o servidor mora perto do local de trabalho ou se tem um filho estudando próximo ao local de trabalho. Eles não estão preocupados praticamente com ninguém. Eles são covardes e cruéis.

EB: E por que decidiu sair como pré-candidato à deputado federal? Quais são as suas propostas?

DC: Nós temos um grande orçamento no DF. A área da saúde tem mais verba do que muitos estados. E não se pode aceitar que um governo não aplique a verba destinada para o setor por falta de capacidade em apresentar projetos. Recentemente, foram devolvidos mais de 300 milhões de reais para a União destinados para a saúde por falta de competência. Quero ter uma atuação voltada para ajudar não só na saúde como em outros setores. Nós precisamos trazer recursos para todas áreas do DF, além de fiscalizar. A mobilidade urbana do DF é péssima. O metrô atende poucas cidades. Tinha que atender outras cidades. O metrô hoje não tem uma integração verdadeira. Não liga nada, com nada. Os trabalhadores do Entorno vêm para o DF num transporte que parece mais uma lata de sardinha. Nós precisamos integrar o transporte do DF com a Ride. Esses trabalhadores foram para o Entorno porque não conseguem viver com o padrão econômico daqui. Temos que atuar pensando nesse pessoal. Quando eu era distrital, nós conseguimos que o DF, por meio de convênio com o governo federal, ajudasse a saúde de Santo Antônio do Descoberto/GO, evitando que as pessoas saíssem de lá para cá. A população de lá não vem para o DF porque querem e sim por questão de necessidade. Nós temos que buscar recursos para implantar um trem de média velocidade que poderia atender Águas Lindas, Alexânia, Abadiânia, enfim, milhares de trabalhadores.

EB: Então, o senhor pretende trabalhar por soluções mais ampla?

DC: O que me interessou em me tornar federal foi isso. Pode ajudar, não só a saúde como todas as áreas e todas as regiões. O deputado federal pode contribuir não só o DF, mas todo o Brasil. Nós precisamos ter uma ação mais macro. Não podemos ter índices de mortalidade de países que estão em guerra. Temos que voltar com a dupla Cosme e Damião que ajudavam em muito no combate à criminalidade e que foi extinto. A questão da moradia. Aqui se deixa fazer as coisas e depois vai lá derrubar as casas das famílias. Hoje temos tecnologia para atuar na prevenção desse tipo de ação. Nós temos que ter uma política de moradia digna para as pessoas.

EB: Essas são as razões que o levaram a voltar para a política?

DC: Na verdade, o que me tocou mesmo foi ver as pessoas morrerem por doenças e mortes evitáveis. Isso mexeu muito comigo. Quando a pessoa tem que morrer e papai do céu falar que chegou a hora dessa pessoa, tudo bem. Agora, morrer por uma causa que podia ser evitada, aí não. Isso se chama incompetência. Como homem público, como cristão, eu pensei: tenho que voltar e contribuir para evitar esse tipo de coisa. As pessoas hoje não conseguem mais nada. Não conseguem uma consulta, não conseguem remédios. Mais de mil mortes porque as pessoas não conseguem UTI, mas o governo vai lá e fecha convênio milionários com clínicas privadas. Não podemos aceitar que não se tenham um aparelho de ressonância magnética funcionando na rede pública. Não dá. Uma coisa eu posso dizer: eu tenho a intenção de exercer o mandato como deputado federal para devolver a sociedade.

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Eu não entendo esses indicadores que esse governo está divulgando como na área de segurança, por exemplo. Eu queria saber de onde eles estão tirando esses dados.

EB: Como o senhor avalia o atual cenário político?

DC: Eu avalio que está ruim. Nós já viemos de governos complicados. Eu não entendo esses indicadores que esse governo está divulgando como na área de segurança, por exemplo. Eu queria saber de onde eles estão tirando esses dados. Outra coisa que me moveu foi a questão do desemprego. Não pode um pai de família acordar e não saber como vai trazer o pão, a comida para dentro de sua casa. O Brasil com quase 14 milhões de desempregados. Hoje, o quadro é de total desorganização do DF.

EB: De zero a 10, qual nota o senhor daria para o governo Rollemberg?

DC: Eu vou pedir desculpas a vocês, mas prefiro evitar. É um trabalho totalmente vexatório o que eles estão desenvolvendo.

EB: E quem o Dr. Charles vai apoiar para o governo do DF?

DC: Apoio o Dr. Frejat. Eu vou apoiá-lo por ser um ótimo gestor. Ele já ocupou vários cargos. Ajudou a construir o atual sistema de saúde. Ele é um homem íntegro. Ninguém chega até ele para propor acordos. Ele não aceita. Nunca ouvi algo dele que não tivesse decência. Nós precisamos de um homem assim.

EB: E qual a mensagem o senhor deixa para o eleitor brasiliense?

DC: Eu deixo para o eleitor o seguinte recado: eu entendo que há um desestímulo muito grande com a política, eu compreendo até. Mas, nós temos que, como cidadãos que somos, de tentar mudar isso. E no sistema democrático, nós só temos uma arma que é o voto. Quando você deixa de exercer a sua cidadania, você passa a ajudar grandes grupos que já estão no comando deste país e que tem feito ele piorar cada vez mais. Então, votar nulo ou em branco, como fizeram em Tocantins, você ajuda esse pessoal que tem militância e que defende seus próprios interesses. Então, se você pensa que vai anular a eleição, isso não anula nada. Você apenas ajudará as pessoas que fazem um desserviço para a nossa sociedade. Vamos votar gente. Vota naquele que você conhece. Não vote em quem está te oferecendo R$ 200,00 ou R$ 300,00. Vote em quem você confia. Valorize o seu voto. Nós só vamos mudar se colocar gente comprometida com o Brasil e com o Distrito Federal.

Da Redação

Fotos: Divulgação/Arquivo Pessoal Dr. Charles

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