GDF exonera diretor do DFTrans após a PCDF realizar busca e apreensão na casa do gestor

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), determinou a exoneração do diretor-geral do DFTrans, Léo Carlos Cruz, após a Polícia Civil cumprir mandado de busca e apreensão na casa dele na manhã deste sábado (24).

Quem assume o cargo é Marcos Tadeu de Andrade, auditor de controle interno de carreira e, atualmente, controlador-geral adjunto do DF.

Os policiais também prenderam temporariamente o diretor da unidade de controle de bilhetagem automática do DFTrans, Harumy Tomonori Honda. O GDF informou que ele foi exonerado.

Honda foi detido em casa, em Taguatinga. Além da prisão, a Justiça também autorizou cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa dele. Em nota, o DFTrans disse que “está apurando as informações e não vai se pronunciar neste momento”.

A detenção e o cumprimento dos mandados de busca e apreensão são desdobramentos da Operação Trickster – deflagrada na semana passada –, que desmascarou fraudes no Sistema de Bilhetagem Automática (SBA) do DF e prendeu, ao menos, 30 pessoas.

Prisão preventiva

Na sexta-feira (23), a Justiça do DF decretou a prisão preventiva de seis suspeitos de participação no esquema, entre os quais o auditor fiscal de atividades urbanas Pedro Jorge Oliveira Brasil, que já havia sido preso temporariamente no ano passado, na Operação Checklist. Segundo as investigações, ele liderava o grupo.

A decisão, da 3ª Vara Criminal de Brasília, ocorreu a partir de uma representação da Polícia Civil. O pedido foi elaborado pela Coordenação de Combate à Corrupção (Cecor) e pela Divisão de Repressão a Corrupção e aos Crimes contra a Administração Pública (Dicap).

Operação Trickster

A estimativa da polícia é de que o grupo tenha desviado R$ 1 bilhão desde 2014. A Justiça autorizou que os investigadores tenham acesso ao banco de dados do sistema administrado pelo DFTrans para analisar o tamanho do rombo nos cofres públicos.

As prisões da semana passadas foram feitas no DF, em Valparaíso (GO), na Cidade Ocidental (GO), em João Pessoa (PB) e no Recife (PE). Entre os alvos, estava o auditor fiscal Pedro Jorge Brasil e a mulher dele, Hedvane Ferreira.

O auditor é servidor da Secretaria de Mobilidade do DF, com salário líquido de R$ 13.228,46. Ele teria criado empresas fantasmas e se aproveitado da condição de fiscal de atividades urbanas para vincular nestas companhias funcionários falsos que passavam a receber vale-transporte.

A divisão de tarefas era feita assim:

  1. Inseridores: colocavam as empresas fantasmas e os funcionários falsos no sistema do DFTrans, dando início ao esquema;
  2. Validadores: validavam a compra de crédito de vale-transporte para os cartões gerados de forma fraudulenta;
  3. Descarregadores: permissionários que descarregavam os cartões nos ônibus; transformavam os créditos do vale-transporte em dinheiro em espécie.

Quem participava

Segundo as investigações, Pedro Jorge contava com o apoio de um analista de sistemas, que inseria no sistema do DFTrans as empresas inexistentes, e com o de outros funcionários do DFTrans, que atualizavam senhas de acesso ao sistema.

O grupo descarregava os créditos dos cartões de vale-transporte nos validadores de ônibus que faziam trajetos rurais de forma sequencial e em linhas distintas. A última “equipe”, que transformava créditos fictícios em dinheiro em espécie, tinha pessoas físicas e jurídicas prestadoras do serviço de transporte público.

Lista de crimes

Os integrantes do grupo criminoso são investigados pelos seguintes crimes:

  • Quadrilha ou bando (artigo 288)
  • Estelionato majorado (artigo 171, §3º)
  • Peculato (artigo 312)
  • Inserção de dados falsos em sistema de informação (artigo 313-A)

Matéria do G1/DF

Foto: Divulgação/G1-DF

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